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O Social Media Week SP incentivando o equilíbrio de gêneros

social media week - logoO Social Media Week é um evento gratuito e para isso conta com apoiadores e patrocinadores para fazer o evento acontecer.

Este ano existe uma meta global de equilibrar a participação dos gêneros, o ideal é ter 50% de homens e 50% de mulheres palestrando/debatendo nas atividades, para ajudar nessa meta o evento está recebendo sugestões de palestrantes mulheres.

Saiba mais sobre como ajudar e participar acessando:  Apoio, Patrocínio e Equilíbrio de Gêneros: Como você pode ajudar o Social Media Week São Paulo – São Paulo.

Grandes Ideias para Pequenos Espaços

Tenho pesquisado bastante sobre decoração e otimização de pequenos espaços, pois estou tentando reformar meu quartinho e ainda transformar um cantinho em home office. No meu caso é apenas um quarto, mas tenho visto dicas para pequenos ambientes em geral. O que tenho percebido é que não é uma coisa só que transforma tudo, mas um conjunto de ideias capazes de operar maravilhas em pequenos espaços. Seguem algumas idéias compiladas pelo MdeMulher.

Dicas de decoração para pequenos espaços

Paredes em Cores Claras

Quer fazer um espaço parecer maior? Paredes claras! Lógico que tudo muito claro fica monótono e uma pitadinha de cor aqui e ali dão um certo charme, mas é fato que os tons claros dão mais amplitude ao ambiente.

Decoração - Pequenos espaços - Quarto claro e almofadas coloridas

Integração dos espaços

Cozinha que se integra à sala, quarto que se integra ao escritório, sala de estar que se integra à sala de jantar… Os pequenos espaços nos obrigam a aproveitar o máximo de cada ambiente e a integração de ambientes é uma ótima dica que dá aquela sensação que o espaço é maior.

Decoração - Pequenos espaços - Integração de ambientes

Cama Suspensa/Escrivaninha

Ideal para quartos pequenos. Mata dois coelhos com uma cajadada, pois divide o quarto em espaço para dormir e  para estudo/trabalho integrando os dois em um.

cama suspensa e cantinho para estudo

Modulados e Gavetas

Com ambientes cada vez menores, aproveitar cada espacinho livre é fundamental. Móveis com compartimentos, gavetas, baús… São extremamente bem vindos, pois organizam e são funcionais. 

móveis modulados e gavetas

Móveis Transformáveis

Sofá/cama-beliche, mesa/bancada desmontável, cama reversível… Os móveis mutantes são maravilhosos para um melhor aproveitamento dos pequenos espaços.  

móveis transformáveis

Fontes:

Relembrar é preciso

Este texto faz parte da blogagem coletiva pela democracia. Uma iniciativa dos grupos de discussão LuluzinhaCamp, Blogueiras Feministas e FemMaterna.

Antes de tudo preciso dizer que nunca lamentei tanto ser uma leiga em política e afins como nos últimos dias. E me sinto de certa forma culpada por minha cômoda alienação. Como boa parte dos brasileiros, nunca entendi de política era mais fácil assim. Se neste momento até especialistas estão perdidos em entender e opinar sobre os acontecimentos desse outono brasileiro, imagine eu, uma semi-analfabeta no assunto?!

Esta Blogagem Coletiva Pela Democracia*, é uma ótima ótima oportunidade de me informar melhor e compartilhar o assunto. Os teóricos e experts que me perdoem, mas entender à minha maneira é fundamental. Este post é a minha reflexão sobre história, democracia, direitos e deveres, política e cidadania.

Como bem comentou a Renata Correa, idealizadora desta blogagem coletiva, em seu facebook: “O legado das manifestações de junho é a política ter voltado a roda das pessoas como um assunto que vale a pena ser debatido. Prefiro mil vezes que as pessoas pensem política do que “não gostem” ou “não se interessem” por política.”

*Democracia – (“demo+kratos”) é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual.

1970: terror e futebol (o ópio do povo)

Medici copa 70

Nasci em 1970, ano que o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol. Terceira filha de uma típica família da classe média/baixa, na zona oeste do Rio de Janeiro. Pai provedor, mãe dona de casa, ambos migrantes do norte e nordeste do país, que sequer tinham o segundo grau. Enfim, uma família bem comum.

Não sofremos diretamente com a repressão (tortura, exílio, etc), certamente por não entendermos nada e aceitarmos tudo. O medo calou muita gente, nem sempre pela repressão ou por alienação, mas por prevenção. A verdade é que graças a brasileiros típicos como nós, todos pagamos o preço até hoje.

Havia um certo terror no ar. Para o governo militar*, nada foi mais oportuno que ganhar a copa naquele ano que foi um dos anos mais tensos da história do Brasil. E o futebol, que sempre foi o ópio do povo, gerando uma euforia nacionalista que foi a grande jogada de marketing do governo Médici (de 1969 a 1974). Quem não se lembra do hino “A taça do mundo é nossa” entre outras?

*Governo Militar – de 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985. A implantação da ditadura começou com o Golpe de 1964, quando as Forças Armadas do Brasil derrubaram o governo do presidente constitucional João Goulart e terminou quando José Sarney assumiu o cargo de presidente. A revolta militar foi fomentada por Magalhães Pinto, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda, governadores dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, com apoio dos grandes veículos de comunicação.

Congresso Nacional. Ruim com eles? Pior sem eles…

AI 5

Foi um período complicado… Em nome do bem do povo, desmandos eram cometidos pelos militares. As coisas que já estavam muito estranhas desde o golpe, ficavam ainda piores para todos e não só para quem peitava a ditadura

A partir de 1965, com o AI2, havia apenas duas associações políticas nacionais, nenhuma delas podia usar a palavra “partido”. Criou-se então a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que foi base de sustentação civil durante o regime militar, formada majoritariamente pela UDN e egressos do PSD, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), com a função de fazer uma oposição coxinha (única possível na época) que fosse tolerável ao regime.

Houve uma sangrenta caça aos guerrilheiros, que eram eliminados em condenação à revelia, a uma pena de morte velada, mas pré-determinada. Inimigo era qualquer um que pensasse diferente do Governo. Protestar? Totalmente proibido. Era a época do “Brasil: ame-o ou deixe-o!”, do exilados políticos, da censura… Foi revelado ao mundo o que até então os militares negavam veementemente, a existência de tortura no país.

E se é ruim hoje deputados que não nos representam, imagine não ter sequer o direito à representação? O AI5*, instrumento que deu ao regime poderes extraordinários e absolutos, teve como primeira grande consequência o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano, limitando os direitos da sociedade, provocando uma série de protestos e guerrilhas urbanas que pipocaram pelo país.

*AI5 – O Ato Institucional Número Cinco, foi o instrumento que deu ao regime militar poderes absolutos e cuja primeira consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. Redigido em 13 de dezembro de 1968, entrou em vigor durante o governo do então presidente Costa e Silva. Veio em represália à decisão da Câmara dos Deputados, que se negara a conceder licença para que o deputado Márcio Moreira Alves fosse processado por um discurso onde questionava até quando o Exército abrigaria torturadores – “Quando não será o Exército um valhacouto de torturadores?” – e pedia ao povo brasileiro que boicotasse as festividades do dia 7 de setembro.

Congelou, virou vidro, quebrou…

diretas já henfil

A década de 1970 foi sem dúvida o auge da ditadura. O período contrastou um excepcional crescimento econômico, o “milagre brasileiro“, com os “anos de chumbo“, onde o regime censurava a todos os meios de comunicação, torturava e exilava dissidentes. Era um governo de mãos de ferro.

Em 1979, o general Figueiredo, talvez já prevendo a decadência do regime, aprovou a Lei de Anistia para os crimes políticos cometidos pelo (inclusive torturadores e outros) e contra o regime (guerrilheiros, exilados), assim como relaxava as restrições às liberdades civis. No início dos anos 80 a ditadura brasileira entrou em decadência e o governo não conseguia mais estimular a economia e diminuir a crônica inflação, o que impulsionou um movimento pró-democracia.

Ficamos anos, muitos anos sem direito a eleger nossos governantes. Somente entre 1983 e 1984, o movimento pelas eleições diretas para presidente, a emenda Dante de Oliveira, levou milhares de pessoas às ruas. E apesar da emenda não ter passado, em 1984 foi realizada a primeira eleição com candidatos civis desde o golpe militar de 1964.

Somente com a aprovação da Constituição de 1988, o Brasil voltou a ser uma democracia e os militares foram mantidos sob controle institucional civil, sem nenhum papel político relevante.

Aos dezoito anos eu vi o fim de uma ditadura tão rígida que quebrou, primeiro conosco, depois com ela mesma. Somente hoje, vinte e cinco anos depois eu vejo o Brasil acordar consciente que a democracia é um poder do povo e não o contrário.

*Emenda Dante de Oliveira – Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº5/1983, apresentada pelo Deputado Federal Dante de Oliveira (PMDB-MT), que tinha por objetivo reinstaurar as eleições diretas para presidente da República no Brasil, através da alteração dos artigos 74 e 148 da Constituição Federal de 1967 (Emenda Constitucional nº 1, de 1969), uma vez que a tradição democrática havia sido interrompida no país pelo golpe militar de 1964.

Alienação não muda nada

17 de junho de 2013

Hoje, assistindo às manifestações populares desse junho de 2013, me emociono. Me emociono, pois nunca vi nada igual. Viver em um país onde o direito à expressão é possível é quase utópico! Somente possível em um país democrático, um direito conquistado. E é disso que não podemos esquecer.

Quem viveu uma ditadura sabe o que é não ter direitos, e talvez por isso nos emocionemos tanto com este momento. O poder da democracia vem do povo e é para o povo. É ter o direito a exercer nossos direitos. E para exercê-los é necessário sabê-los, conhecê-los, inclusive ou sobretudo, seus efeitos em nossa história.

Se Diretas Já foi um movimento guiado por artistas e intelectuais e os Carapintadas pela juventude, esse levante atual é de todos. Sequer sabemos nomeá-lo.

As manifestações não são apenas válidas, mas necessárias. Foram como um balde de água fria em alguém sonolento, acordamos. No entanto, para nos manter acordados é preciso informação. Temos que entender para cobrar. Parar com o discurso que política é uma coisa chata. Lembrar, para escrever uma nova história consciente dos erros e dos acertos. O voto ainda é nosso maior direito e também principal arma.

Depois de tantos anos mal informados, conformados, é com muita fé que vejo este momento. Nunca mais quero boiar nesse mar de lama, sem sequer entender que estou nele. A alienação política só atende a um lado e, definitivamente, não é o nosso.

Agora me deem licença, pois vou ali, me informar mais um pouquinho.

Fontes:

Construção

image by Brandon Christopher Warren on flickr

E como amar só se aprende amando… Linda reflexão do Daniel. Amei!

Photo Credit: Brandon Christopher Warren via Compfight cc

Arranha o Céu

Amor é detalhe. Não é o que se diz, mas como se diz. Não é a palavra, mas sim o sentido. É rotina, companhia, companheirismo. É riso sem motivo, olhar cúmplice, passos na mesma direção. É lágrima. Ora de tristeza, ora de alegria. É aprendizado. Amor é construção.

“Alguém te perguntou como é que foi seu dia?”

Ver o post original

Filmes sobre a obra de Jane Austen

Recentemente assisti O Clube de Leitura de Jane Austen, nele cinco mulheres e um homem de diferentes idades reúnem-se uma vez por mês para debater os livros da autora Jane Austen. A motivação? Segundo Bernadete, personagem idealizadora do clube de leitura, nos livros da autora existe a receita para todos os males do mundo. Ao longo do filme, e dos livros debatidos, os participantes passam a refletir mais sobre suas vidas, fazendo um comparativo de si mesmos com as personagens e a obra da autora.

o-clube-de-leitura-jane-austen

Não concordo quanto aos livros serem um guia, as mulheres de Jane Austen são reprimidas demais, e mesmo as mais ousadas, ainda sonham com o seu príncipe encantado. Não é um oráculo, mas é bonitinho. Eu que adoro um bom romance para me entreter em um dia cinza, adorei. Sem contar que ainda tem o lindinho do Hugh Dancy, o agente Will Grahan da série  Hannibal.

Curiosamente, ou não, na semana que assisti ao filme, revi Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), filme baseado no livro homônimo da autora. Dessa vez, talvez inpirada pelo filme anteriormente citado,  com outros olhos, outra percepção. E fiquei encantada.

Sei que filmes não substituem livros, mas no caso dos livros de Jane Austen (já li alguns) gosto bastante das adaptações, até mais que alguns deles.

E levada por essa onda de romance iniciei uma maratona de filmes baseados nos livros da autora. Apenas dois foram novidade (Mansfield Park e Northanger Abbey), os outros (Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Emma e Persuasão) eu já havia lido ou assistido

Sobre Jane Austen e sua obra

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Jane Austen (1775 / 1817) foi uma romancista inglesa conhecida por seu estilo irônico e descritivo, em uma época em que as mulheres não tinham voz, além dos fuxicos sociais,  e o romance, como gênero literário, era considerado de pouca importância, “coisa de mulher”.

Através do pensamento de suas heroínas, a autora dá vazão às angústias e opressões tão típicas ao sexo feminino da época, expondo com lente de aumento a redoma de futilidade que lhes era imposta, apresentando o casamento como única opção.

Apesar de passarem por poucas e boas ao longo da trama, suas personagens tinham sempre finais felizes ao lado de seus amados. Em contraponto à vida da própria Jane, que teve uma vida de restrições. Humilde, mantida por familiares (já que seus livros rendiam pouco), extremamente discreta devido à profissão, morreu solteira, aos 41 anos.

Nota: Apesar de ser uma obra de ficção, indico o filme Becoming Jane (em português, Amor e Inocência), uma alegoria sobre a juventude da autora, o contexto social em que vivia e seus amores. O filme, seguindo a linha dos romances da autora, tenta traçar uma espécie de biografia de Jane Austen, antes de ser a escritora famosa, retratando sua criação, vida em família e um suposto romance com o jovem advogado Thomas Lefroy. Apesar do relacionamento não ter ido adiante, dizem que o romance com Lefroy teria inspirado a obra Orgulho e Preconceito, seu livro mais famoso.

Razão e Sensibilidade – Sense and Sensibility (1811)

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Primeira obra da autora a ser publicada e escrita sob o pseudonimo “A Lady”. Neste livro, a autora delineia seu estilo, descrever a total falta de direitos femininos em uma sociedade dominada pelo machismo e convenções sociais. Cabe à mulher muito pouco além de um universo ligado à casa e futilidades, e às sem posses, menos ainda.

No cinema, foi dirigido por Ang Lee e conta a história relata os relacionamentos das irmãs Elinor e Marianne Dashwood,  filhas do segundo casamento de Mr. Dashwood. Elas têm uma jovem irmã, Margaret, e um meio-irmão mais velho, John. Quando o pai morre, a propriedade da família passa para John,  herdeiro por direito, por ser o único filho homem, e as mulheres Dashwood se vêem em circunstâncias adversas. Caindo bastante o seu padrão de vida e passando a viver da boa vontade de parentes.

O romance relata a mudança das irmãs Dashwood para uma nova casa, mais simples e distante, e seus relacionamentos (amizades e amores). O contraste entre as irmãs, mostrando Elinor mais racional e Mariane mais emotiva e passional, é resolvido quando cada uma encontra, à sua maneira, a felicidade. Ao longo da história, Elinor e Marianne buscam o equilíbrio entre a razão (ou pura lógica) e a sensibilidade (ou pura emoção) na vida e no amor.

Orgulho e Preconceito – Pride and Prejudice (1813)

orgulho-e-preconceito

Apesar de ser o segundo livro a ser publicado, o romance estava finalizado desde 1797, antes de Jane completar 21 anos. Originalmente denominado First Impressions, título bastante sugestivo, já que o livro é um verdadeiro amor à segunda vista, nunca foi publicado sob este título. Somente após a revisão, foi renomeado e publicado como Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice).

A história é contada sob o ponto de vista de Elizabeth, jovem de 21 anos, segunda de cinco filhas de um proprietário rural na cidade fictícia de Meryton, em Hertfordshire, não muito longe de Londres. Como em outros livros, a protagonista funciona como um canal para discutir os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra.

Um dos pontos interessantes da istória é o fato dos protagonistas (Elizabeth e Mr Darcy) amarem/odiarem as mesmas qualidades/defeitos um no outro. A concretização do amor dos dois mostra que apesar de ambos serem orgulhosos e preconceituosos, são a prova de que a primeira impressão, nem sempre é a que fica.

Mansfield Park (1814)

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Das heroínas de Jane, Fanny Price é a mais diferenciada, pois apesar de pais vivos é tratada como orfã.  Aos 10 anos é de certa forma “adotada” pelos tios ricos (Sir Thomas, um barão, e Lady Bertram), de Mansfield Park e por uma tia (Sra Norris).

Em Mansfield Park, Fanny cresce com seus quatro primos mais velhos, Tom, Edmund, Maria e Julia, mas é sempre tratada como uma espécie de parente pobre. Apenas Edmund, o segundo filho, trata-a com carinho. Dos quatro, Edmund é o mais bem humorado e gentil, Maria e Julia são fúteis e mimadas, enquanto Tom é um jogador compulsivo e  irresponsável. Com o tempo, a gratidão de Fanny por Edmund secretamente cresce e se transforma em um amor platônico.

E apesar da vida de Fanny em Mansfield Park não ser perfeita, ela piora quando Sir Thomas viaja a negócios e, coincidentemente, chegam os  irmãos (Henry e Mary) Crawford, que perturbam o ambiente,  provocando uma série de envolvimentos românticos. Mary e Edmund se envolvem, apesar de sua preferência original por Tom, o primogênito. Enquanto Henry, primeiro flerta com as irmãs Bertram e quando não consegue nada se insinua para Fanny, que não corresponde e é repreendida pela família por não aceitá-lo. Coisas da época…

Óbvio que a mocinha ainda sofre bastante, como toda heroína de Jane, mas tem seu final redentor sendo aceita finalmente pela família, depois dos atropelos morais dos herdeiros, e por fim vivendo seu amor por Edmund.

Emma (1815)

Emma

Emma Woodhouse, bonita, inteligente, e rica“, assim a autora apresenta sua personagem. Emma, no entanto, é principalmente mimada e superestima seu poder de manipulação, não percebendo os perigos de interferir na vida das pessoas. Acreditando em seu potencial como casamenteira, se engana facilmente sobre o sentido das intenções e atitudes alheias, provocando uma série de maus entendidos em efeito dominó.

Das heroínas de Austen é a mais sem noção. Fútil e preconceituosa, como uma típica aristocrata em sua época, apesar de dona de um bom coração, Emma vive tropeçando em seu próprio ego, entristecendo e afastando os que a admiram e amam. Tanto, que ela passa a história inteira sem perceber o amor que seu melhor amigo (Mr. Knightley, único capaz de dizer-lhe algumas verdades)  nutre por ela.

O único ponto positivo,  se é que pode ser considerado assim, é o fato de defender que  não precisa de um marido para ser feliz. Infelizmente, só defende esse direito porque é rica 😦 E ainda assim, só acredita nisso até a página dois, pois quando percebe-se apaixonada, sofre por ter decepcionado Knightley e acredita que ele jamais a perdoará, mas… É uma história de Jane Austen, lógico que tem final feliz.

Northanger Abbey (1818) – póstuma

Northanger-Abbey

Grande parte da obra descreve a vida social em Bath (que a própria autora teve a chance de vivenciar) e uma outra parte  parodia os romances góticos, muito apreciados na época.

Sua heroína é a jovem Catherine Morland, que passa seus dias no campo a imaginar aventuras sombrias em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica. Catherine acredita que pode viver um desses sonhos. Quando tem a oportunidade de ser apresentada à sociedade em Bath, sua mente voa… E ao ser convidada a passar alguns dias na Abadia de Northanger a convite do pai de Henry Tilney, seu pretendente se vê em uma situação repleta de mistérios existentes muito mais na imaginação da mocinha que na vida real.

Um dos romances mais fantasiosos da autora, ele é uma crítica aos romances góticos como influência na imaginação fértil de meninas jovens da época. E ao mesmo tempo, é uma defesa incondicional aos romances em geral, que na época eram principalmente escritos por mulheres e considerados um gênero de segunda categoria.

Persuasão – Persuasion (1818) – póstuma

persuasion

Último e um dos meus romances preferidos da autora. A história gira em torno de Anne Elliot, uma solteirona (pasmem) de 27 anos, filha do meio de um arrogante baronete de Kellynch Hall.

Sete (quase oito) anos antes da história começar, Anne se apaixonou por Frederick Wentworth, mas  foi persuadida por sua família a desistir do casamento, por ele ser pobre, sem tradições e sem conexões familiares importantes. O rompimento foi promovido pela viúva e amiga da família Lady Russell, que não via vantagens no casamento e temia um futuro incerto para Anne.

Anos depois, tudo muda. A família de Anne passa por dificuldades financeiras, mas sem perder a pose, aluga a propriedade de Kellynch Hall ao cunhado de Wentworth, o Almirante Croft, para hospedar-se em Bath cheios de pompa e circunstância. Frederick agora é um um promissor oficial da marinha, enquanto Anne (por não ter casado) vive como uma bola de ping-pong para lá a para cá cuidando da irmã mais nova, já casada e com saúde frágil. Triste realidade das solteironas da época…

O reencontro com Anne é carregado tanto de arrependimento da parte dela, que jamais o esqueceu e lamenta ter se deixado persuadir, quanto mágoa da parte dele que jamais se recuperou de todo da rejeição. A personagem Anne sofre, mas cresce muito ao longo da história. Deixando de ser uma ratinha assustada para tomar as rédeas da própria vida.

Gosto muito do momento em que Anne sai correndo para encontrá-lo, passando por cima das imposições sociais e indo atrás dele apesar de ainda não ter certeza da paixão correspondida. O momento é lindo e corajoso porque ela ainda não sabe que o primo rico arrastando asas para ela é um golpista safado.

É… Na obrade Jane Austen, o amor realmente transforma!

Fontes:

Cantadas de rua, nossa não reação não é consentimento

marcha das vadias - por R.R.curtis no flickr

Existem cantadas e cantadas. Mulheres gostam de elogios sim, mas receber elogios de quem escolhemos interagir está muito longe das cantadas sujas que temos que aturar no dia a dia. Engana-se quem pensa que nossa não reação é consentimento.

Uma jovem belga de 25 anos gravou o que ouvia dos homens enquanto caminhava pelas ruas e o resultado foi um documentário Femme de la Rue  (Mulher da Rua, em tradução livre)  sobre o assunto.

Recentemente o texto “Como se sente uma mulher“, da fotógrafa Cláudia Regina no site Papo de Homem, causou um verdadeiro frisson na rede. Cláudia denunciou de maneira franca e direta os abusos que nós mulheres sofremos diariamente nas ruas.

Manifestações como a  Marcha das Vadias estão aí para mostrar que as mulheres cansaram de ouvir sem reagir.

Esta semana resolvi comentar meus 2 centavos sobre a questão.

Infelizmente, o abuso contra a mulher é diário e nem sempre a violência se mostra como agressão física. Na maioria das vezes é velado, disfarçado em um hábito cultural e nós mesmas a maioria das vezes calamos para evitar aborrecimentos.

Crescemos ouvindo deles as cantadas mais absurdas, com os mais descabidos adjetivos sobre o nosso corpo, na maioria das vezes muito mais constrangidas que lisonjeadas, mas… Quem disse que se importam?!

Trecho do texto “O abuso deles de cada dia” – Coluna Diário Secreto / Vila Mulher

E você, o que pensa sobre isso?!

*Photo Credit: R.R.curtis via Compfight cc