A Vida Secreta de Walter Mitty

Uma das cenas mais lindas do filme a vida secreta de walter mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty é um daqueles filmes que a maioria de nós irá se ver nele. Digo a maioria, pois felizmente existem exceções que ousam viver a vida preocupando-se muito pouco com os padrões ou com  o que os outros vão pensar.

Walter Mitty é o introvertido gerente do setor de negativos fotográficos de uma revista (que passará a ser exclusivamente online  provocando demissões em massa). Basicamente ele, um típico zero à esquerda na hierarquia da empresa, que tem fantasias mirabolantes sobre como ser mais ousado e interessante para conquistar uma colega de trabalho (que por sinal lhe dá bola e ele nem percebe), é o único contato entre a revista e o fotógrafo super estrela que será responsável pela capa da última edição.

O que ninguém entende ou espera é que o tal negativo número 25, que representa a quintessencia da revista, está desaparecido e Walter, o cara mais pacato dos pacatos, que nunca perdeu sequer um negativo durante toda a sua carreira no subsolo onde trabalhava, sente-se desafiado a buscar informações como o próprio fotógrafo.

Daí, não tenho como contar sem dar spoilers, mas posso assegurar que trata-se de um filme lindo que nos faz perguntar onde perdemos aquele espírito curioso e aventureiro que tínhamos quando jovens. Um filme que nos faz pensar e dar valor à beleza das coisas mais simples e sobretudo, a reconhecer a verdadeira felicidade.

Nem preciso dizer que é um filme que DEVE ser visto, né?!

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A beleza das coisas ordinárias

LuluzinhaCamp em 2011 - Foto da Lucia Freitas

Nos últimos tempos, por um daqueles motivos que a gente não sabe explicar (Jung chamaria de sincronicidade) tenho me deparado com N situações parecidas, tido a oportunidade de assistir filmes, conhecido pessoas e tantas outras coisinhas, que tem me inspirado a olhar a minha vida de fora para dentro e não de dentro para fora. O que faz uma diferença enorme…

Uma pessoa antissocial constrói o seu mundo próprio e tende a impor um certo distanciamento. (principalmente neste meu momento de fobia social). Quem é muito amigo, não vê isso em mim, pois eles já entraram na minha bolha e conviver com estas pessoas não é sofrido.

Daí chegou ao ponto, sofrimento… É gente, eu sofro. A maior parte do tempo não, confesso, mas sofro sobretudo quando a minha tendencia antissocial me limita ousar um emprego novo (porque terei que conviver cm muitas pessoas), viajar (porque terei que esbarrar com gente estranha todo o tempo), encontrar amigos em uma praia (porque a multidão da praia me paralisa), em um shopping (nem preciso dizer porque, né?)… E me incomoda ainda mais, pois eu não fui sempre assim. Eu fiquei assim. Esquisita eu sempre fui, antissocial eu fui me tornando. E se isso aconteceu sem eu perceber, posso escolher mudar.

Em São Paulo, além do carinho dos amigos, que eles sabem quem são, não preciso nomeá-los. Ser acolhida pelo LuluzinhaCamp SP (iniciativa da super Lucia Freitas, se não fosse ela, este grupo não existiria)  fez diferença em minha estada paulistana. Um grupo 100% feminino que debate online direitos e questões femininas, acolhendo, ajudando… No entanto, o verdadeiro acolhimento é feito nos encontros presenciais onde a troca de experiências já tão exercitada no ambiente web se fazem reais. Não vivo sem aquelas mulheres.

Recentemente me engajei em um grupo secreto, Íntimos e Carecas, de leitores  da Newsletter do Alessandro Martins, um cara que além de ter uma mente tão livre quanto a minha, tem blogs sensacionais que eu amo como o Livros e AfinsCasas Pequenas  e o Iniciante na Bolsa. E o grande lance desse grupo que é composto por assinantes da cartinha semanal, a grande sacada, que nem sei se o Alê (ou a Lu Freitas) teve a intenção ao iniciá-lo, é a total desglamourização do estilo de vida das lentes cor de rosa do facebook e redes sociais afins. Vida real, saca?

Sem grande regras definidas, exceto uma breve apresentação, respeito e o que se comenta ali, fica ali mesmo, estes grupos (tanto o LuluzinhaCamp quanto o Íntimos e Carecas), não são alimentados por assuntos extraordinários, específicos, mas sim as coisas mais corriqueiras. As situações ordinárias da vida.

O jabá para a realização de um sonho de editar um livro, a angustia da depressão, a denúncia de abusos sofridos por questões de gênero ou sociais, a ousadia de viajar sem um tostão no bolso e compartilhar a experiência, a dúvida sobre que caminho tomar profissionalmente estando em tese na metade da vida, uma dica de filme, livro… Enfim, tudo e nada em especial.

O que fazem estes grupos de interação tão diversos serem únicos e especiais, não é nenhuma fórmula mágica além do acolhimento (sim, todos são bem recebidos) e cooperação. Não existe um comentário, um post, uma thread que não seja vista, curtida, comentada… Pessoas se ajudam, se cuidam, se acarinham como é possível.

Portanto, mesmo que não seja real o contato, ainda que os encontros presenciais ainda sejam poucos, mas ainda assim ajudem para que essa virtualidade torne-se realidade, é essa corrente do bem, onde pessoas ajudam pessoas a não serem apenas mais um avatar em nossas timelines,  que fazem a diferença. 

E eu sou grata por viver um momento assim, por esbarrar com pessoas que fazem o ordinário não ser apenas belo, mas sobretudo útil, motivador e construtivo. Ajudando-nos a exercitar o respeito à diversidade, o amor ao próximo e, de alguma maneira, a mudar o mundo a partir de nós mesmos!

Questão de Tempo

Questão de tempo

“Jamais temos tempo suficiente para fazer ou dizer tudo o que desejaríamos. O importante é fazer o máximo que pudermos no tempo que dispomos” – Trecho do filme  Scrooge, baseado na obra de de Charles Dickens.

Questão de tempo conta a história de um rapaz, que ao atingir a maioridade descobre, por intermédio de seu pai tem o poder de viajar no tempo. Não viagens extraordinárias, como mudar o passado e o futuro da humanidade, acabar com uma guerra ou coisa assim.  Mas sim, viagens ordinárias, capazes apenas de mudar alguns pontos da sua vida. E ele escolhe que usará este dom para encontrar a mulher de sua vida, e conhece, umas três ou quatro vezes para ser exato, pois cada vez que ele tem que mudar alguma coisa, outra muda em consequência e acaba acontecendo um efeito borboleta.

Enfim, é um filme de amor, com alguma comédia,  mas sobretudo é um filme sobre o amor à família, sobre o que realmente importa, sobre o que seríamos capazes de fazer para mudar o destino de quem amamos, mas que nem sempre isso é possível. O final é lindo, simples e lacrimejante. No fim das contas não são as viagens no tempo que qgarante a felicidade, mas a capacidade que todos nós tempo de ver o mundo de uma forma mais enfadonha, chata e cansativa, ou estimulante, livre e feliz.

E você, o que escolhe?

Homeland | Updated

Damian Lewis e Claire Danes - Homeland

Ontem assisti a primeira temporada completa de Homeland (Globo começou a exibir dublada esta semana no horário do Jô em férias). E estou me preparando para, em um dia menos quente, assistir a segunda.

O elenco me chamou atenção. Assisti o primeiro capítulo, mesmo dublado, porque tenho um fetiche por aquele ruivo, Damian Lewis, desde a série Life e sou louca na Claire Danes até quando ela faz filme ruim (Stardust é de matar, vai), não sei explicar. Sem contar o Mandy Patinkin que eu amo desde mil novecentos e lá vai bolinha e quase morri quando ele largou Criminal Minds no auge.

A trama de Homeland desmistifica o patriotismo  doente, maniqueísta, que divide tudo entre “do bem” e “do mal”, mocinhos e bandidos, nós (seja qual for a pátria) contra eles (o resto do mundo que não pensa igual)… Nos faz questionar o que de fato é terrorismo e o que é poder da manipulação de informações, pessoas, ideias…

As personagens principais, Nick Brody (Damian Lewis) um fuzileiro americano que ficou preso oito anos em poder de terroristas e Carrie Mathison (Claire Danes) uma agente da CIA, paranoica e bipolar que desconfia que o moço foi convertido ao islamismo e à Jihad (como um membro da Al Qaeda, é impressionante. Apaixonei pela atuação deles.

O legal é que mesmo que eu não visse em sequência, como vi, dá para acompanhar a série (dos mesmos criadores de 24 horas) aleatoriamente e é um entretenimento legal. Tem um flashback bem didático e o ritmo da série me agradou.

Sei que esta primeira temporada abocanhou um monte de Emmys. Ansiosa para ver a segunda temporada (sei que a terceira já começou) e ver se perderam a mão ou continuaram na mesma pegada frenética e interessante.

Up Date:

Nos últimos dez dias assisti as três temporadas de Homeland, quase compulsivamente. (Quase?)  Sem disparar spoilers, pois acho que a série vale a pena ser vista, faço uma analogia da mesma, com um filme, uma trilogia. Cujo primeiro foi um drama de ação sensacional que me pegou de jeito e deixou interessada, o segundo embromou um pouco e quase se perdeu por dar muita ênfase ao romance, mas o terceiro se redimiu fechando com chave de ouro, mostrando que o céu e o inferno coexistem aqui mesmo na terra. E a grande massa não passa de marionete nas mãos dos poderosos. Acompanhar as três temporadas em sequência foi meio angustiante (24 horas também me deixava assim no começo), sobretudo a última, que não poderia ter final melhor. Eu gostei!

Don Jon | Pornografia x Romance x Vida Real

pornografia - Joseph-Gordon-Levitt-Don-Jon

Assisti Don Jon sem pretensões (acredito que o título seja uma brincadeira em cima do mito do Don Juan).  Escrito, dirigido e protagonizado por um marombadíssimo Joseph Gordon-Levitt (10 things I hate about you e 500 days of Summer).

O filme, que estão taggeando como  comédia romântica, é uma tremenda crítica ao gênero. E faz um contraponto sobre o quanto as comédias românticas estão para as mulheres, assim como a pornografia está para os homens, ou seja, uma fuga, um ideal inalcançável.

Aliás, o filme leva à reflexão todas relações idealizadas e unilaterais, tanto quanto as convenções sociais como família, Igreja, casamento…  Casais se verem juntinhos podem até instigar uma rusguinha (apesar de uma caricatura, homens e mulheres irão se ver em uma cena ou outra). Só posso indicar, indicar e indicar.

O elenco é fodástico, além de Joseph Gordon-Levitt, tem também Julianne Moore, Scarlett Johansson, Tony Danza e Glenne Headly.

Nota especial para a cena em que o protagonista enfim leva a mulher perfeita para a cama e ainda assim, sente um vazio enorme que só consegue ser preenchido pela pornografia. Muito boa! Eu já vivi isso, só não fiz o escarcéu que a namorada faz quando o flagra, fui ver juntinho que não sou boba… rs.

De antissocial a agorafóbica | Como reverter este quadro?

deiAgorafobia - image by ValetheKid on flickr
Sempre fui meio ostra, antissocial, estar em meio a muita gente é um stress enorme para mim, angustiante até (já fui quase pisoteada em um show ao ar livre ainda criança e não tenho medo de multidão, tenho  pânico). Ainda assim, a maioria das vezes disfarço bem esse meu medo de gente. Poucos acreditam, mas sou tímida. Nervosa, eu falo demais e as pessoas confundem meu desespero com extroversão.

O fato de eu não ingerir bebidas alcoólicas me segrega ainda mais. Reunir-me com os amigos na mesa de um bar é uma experiência inicialmente deliciosa, afinal eu os amo, mas à medida que o grau etílico das outras pessoas é aumentado eu começo a me sentir em um mundinho paralelo. Já que não consigo acompanhar a descontração, as gargalhadas e, sobretudo, deixar de morrer de vergonha alheia. É… Muitas vezes eu tive vergonha da postura dos meus amigos em uma mesa de bar. E rolava uma certa culpa, pois a estranha no ninho ali era eu.

Com o tempo fui descobrindo mecanismos  de melhor socialização. Em grupos pequenos me sinto mais acolhida (obrigada Cris Melo. Obrigada Lu, Lili, Carla e Charô. Amo vocês). Para ter encontros, prefiro matinés a noitadas,  cafés a bares, exposições a festas, passeios ao ar livre a shoppings… Estou aprendendo.

Ainda assim, mesmo com tantos macetes para melhor conviver com as pessoas, eventualmente minha ansiedade me dá uma rasteira. Em 2013 deprimi profundamente devido a enormes mudanças na minha vida em um curto espaço de tempo. Fiquei expert em desculpas para não sair de casa. E se não trabalhasse home office, teria ficado ainda pior.

Duas crises de pânico, uma delas que me congelou ao ponto de eu sequer saber como voltar pra casa, exigiu carinho de mãe ao telefone para me acalmar e conduzir de volta pra casa. Resultado? Uma quase agorafobia (transtorno ligado ao ataque de pânico que faz com que a pessoa evite situações que  ela imagina que podem colocá-la em risco, confinando-a, de certa forma) que me deixou quase quatro meses sem sair de casa. Entrei numa espiral descendente, cada vez mais profunda e estava difícil sair daquilo.

Tentei conseguir psiquiatra, psicólogo, mas SUS, sabe como é… E diante do meu quadro, em que sair de casa é um parto, já viu… Um dia consigo ajuda médica, melhoro sozinha, ou piro de vez, vai saber…

Um dia, uma frase da minha mãe me acordou de um transe. Ela disse que a porta do meu quarto não era uma muralha. Aquilo me incomodou, chorei, amuei, pois naquele mesmo dia, eu mesma havia escrito em um papel alguns comportamentos que queria mudar, porque e como faria isso. Sair do meu quarto era a primeira meta, interagir com meus familiares também. Outras metas maiores viriam depois e vieram. Desde aquele dia, voltei a passar algum tempo na sala, cozinha, quintal, acariciar meus cães, brincar com eles…

Quando me senti mais forte comecei a ir à frente da casa, a lugares próximos como o banco 24h aqui pertinho, à farmácia, até que um dia ousei um café com um amigo (ele sabe o quanto sou grata por ter insistido no convite, já que neguei algumas vezes). Foi estranho, foi dolorido, tive medo, achei que coisas terríveis pudessem me acontecer, mas… Fui! E nada de mau aconteceu. Ufa!

Desde então, pouco menos de um mês e meio, já saí quatro vezes, fui a duas exposições, reencontrei amigos queridos… Às vezes me sinto super forte e capaz de qualquer coisa. Noutras vezes ainda me retraio e não consigo sair de casa. Ainda tomo ansiolíticos, que me ajudam a ir adiante, mas minha intenção é aumentar as caminhadas, que promovem um grande bem estar, para largar os ansiolíticos de vez.

Enquanto isso vou tentando, a passinhos de bebê, dar o próximo passo, superar o novo limite… Começo o ano como um bebê de dois anos. De vez em quando buscando apoio nos meus bichos, nas pessoas próximas, ao mesmo tempo que tento dar meus passos mais seguros, independentes. O processo não é simples, é lento, uns dias consigo, noutros não… Quem sabe um dia ainda vou rir disso tudo.

Hoje não amanheci bem, quero sair, encontrar amigos em um quiosque na praia, mas me sinto paralizada. Olho para a cama e vejo a roupa arrumada, cuidei das unhas, modelei meus cachinhos… Penso neles, os meus amigos, no quanto quero lhes dar um abraço, mas… Só consigo pensar na aglomeração de pessoas, em um possível arrastão,  no risco de não ter grana para acalmar a fissura do bandido, na volta pra casa… Na mente de um ansioso, o quadro imaginado é sempre o pior possível.

E minha cabeça dói, minha pressão aumenta, enjoo… E taca um ansiolítico para dentro, e dá-lhe ficar lerda com o efeito. E de repente, tudo o que eu quero é dormir e esquecer  toda esta situação que só aconteceu no meu pensamento.

É o caminho é longo e só depende de mim… Baby steps, baby steps…

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Photo Credit: ValetheKid via Compfight cc