A beleza das coisas ordinárias

LuluzinhaCamp em 2011 - Foto da Lucia Freitas

Nos últimos tempos, por um daqueles motivos que a gente não sabe explicar (Jung chamaria de sincronicidade) tenho me deparado com N situações parecidas, tido a oportunidade de assistir filmes, conhecido pessoas e tantas outras coisinhas, que tem me inspirado a olhar a minha vida de fora para dentro e não de dentro para fora. O que faz uma diferença enorme…

Uma pessoa antissocial constrói o seu mundo próprio e tende a impor um certo distanciamento. (principalmente neste meu momento de fobia social). Quem é muito amigo, não vê isso em mim, pois eles já entraram na minha bolha e conviver com estas pessoas não é sofrido.

Daí chegou ao ponto, sofrimento… É gente, eu sofro. A maior parte do tempo não, confesso, mas sofro sobretudo quando a minha tendencia antissocial me limita ousar um emprego novo (porque terei que conviver cm muitas pessoas), viajar (porque terei que esbarrar com gente estranha todo o tempo), encontrar amigos em uma praia (porque a multidão da praia me paralisa), em um shopping (nem preciso dizer porque, né?)… E me incomoda ainda mais, pois eu não fui sempre assim. Eu fiquei assim. Esquisita eu sempre fui, antissocial eu fui me tornando. E se isso aconteceu sem eu perceber, posso escolher mudar.

Em São Paulo, além do carinho dos amigos, que eles sabem quem são, não preciso nomeá-los. Ser acolhida pelo LuluzinhaCamp SP (iniciativa da super Lucia Freitas, se não fosse ela, este grupo não existiria)  fez diferença em minha estada paulistana. Um grupo 100% feminino que debate online direitos e questões femininas, acolhendo, ajudando… No entanto, o verdadeiro acolhimento é feito nos encontros presenciais onde a troca de experiências já tão exercitada no ambiente web se fazem reais. Não vivo sem aquelas mulheres.

Recentemente me engajei em um grupo secreto, Íntimos e Carecas, de leitores  da Newsletter do Alessandro Martins, um cara que além de ter uma mente tão livre quanto a minha, tem blogs sensacionais que eu amo como o Livros e AfinsCasas Pequenas  e o Iniciante na Bolsa. E o grande lance desse grupo que é composto por assinantes da cartinha semanal, a grande sacada, que nem sei se o Alê (ou a Lu Freitas) teve a intenção ao iniciá-lo, é a total desglamourização do estilo de vida das lentes cor de rosa do facebook e redes sociais afins. Vida real, saca?

Sem grande regras definidas, exceto uma breve apresentação, respeito e o que se comenta ali, fica ali mesmo, estes grupos (tanto o LuluzinhaCamp quanto o Íntimos e Carecas), não são alimentados por assuntos extraordinários, específicos, mas sim as coisas mais corriqueiras. As situações ordinárias da vida.

O jabá para a realização de um sonho de editar um livro, a angustia da depressão, a denúncia de abusos sofridos por questões de gênero ou sociais, a ousadia de viajar sem um tostão no bolso e compartilhar a experiência, a dúvida sobre que caminho tomar profissionalmente estando em tese na metade da vida, uma dica de filme, livro… Enfim, tudo e nada em especial.

O que fazem estes grupos de interação tão diversos serem únicos e especiais, não é nenhuma fórmula mágica além do acolhimento (sim, todos são bem recebidos) e cooperação. Não existe um comentário, um post, uma thread que não seja vista, curtida, comentada… Pessoas se ajudam, se cuidam, se acarinham como é possível.

Portanto, mesmo que não seja real o contato, ainda que os encontros presenciais ainda sejam poucos, mas ainda assim ajudem para que essa virtualidade torne-se realidade, é essa corrente do bem, onde pessoas ajudam pessoas a não serem apenas mais um avatar em nossas timelines,  que fazem a diferença. 

E eu sou grata por viver um momento assim, por esbarrar com pessoas que fazem o ordinário não ser apenas belo, mas sobretudo útil, motivador e construtivo. Ajudando-nos a exercitar o respeito à diversidade, o amor ao próximo e, de alguma maneira, a mudar o mundo a partir de nós mesmos!

Anúncios

2 comentários sobre “A beleza das coisas ordinárias

  1. Acolhimento. Sim, a sensação de ser acolhida é que derruba várias barreiras, só que em um mundo cada vez menos tolerante e mais “opinativo” ele se torna raro.
    Somos sortudas por encontrar quem nos acolhe. Beijo querida!

Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s