Quem disse que não encontrei a pessoa certa?

Casal sem rosto

Quando li  o Íntimo e Careca -13 (confira abaixo um trecho da carta dessa semana),  newsletter do Alessandro Martins já tantas vezes comentada aqui,  me identifiquei muito com suas palavras. Eu não gosto de ser não monogâmica, eu amo. E assumir isso me faz bem… Nossa!

Ok, como solteira posso tudo e por isso… Coração vagabundo, sem vergonha, encalhada, periguete, lésbica enrustida… O que já ouvi por não ter um namorado… Putz!

O que a maioria do mundo não sabe é que eu não preciso de um namorado, porque não quero um namorado.

E então, para alguns, ser como sou me faz parecer desde um ser mítico que merece ser adorado (“nooossa essa deve se esbaldar…”),  tanto quanto posso parecer um ET que precisa ser estudado e dissecado, afinal, não pode ser desse mundo quem não queira ser monogâmico. (Por favor, entendam, a monogamia é linda, ser monogâmico parece até mais fácil. Afinal, não se rema contra a maré da sociedade, mas eu não sou assim!)

A frase que mata: “Você só diz isso porque ainda não encontrou a pessoa certa.”

Sinceramente… Não creio que existe pessoa certa… E nem errada. Existem pessoas que passam pelas nossas vidas, fazem parte da nossa história por um instante ou por uma vida. Algumas que curtimos estar juntinhos por mais tempo aguentando (e muitas vezes achando lindo) o pacote completo do outro. Outras não. Não existe certo ou errado quando o assunto é relacionamento. Existe a maneira que cada um escolhe viver. Por uma fase ou por uma vida.

Eu adoro ter o mundo de opções (neste momento, opto por estar só, mas não nego que tenho uma conchinha preferida), eu não quero escolher, eu não quero me comprometer, eu SEI que sou uma incompetente em cuidar de plantas e bichinhos, quem dirá relacionamentos (e sinceramente não sei se quero aprender). Amizades já são difíceis de fazer manutenção (meus amigos são uns anjos, amo vocês), amores não são diferentes. Acho que fiquei prática, ou pelo menos estou tentando.

Amo a liberdade de hoje estar, sem estar realmente com alguém. Gosto mesmo de amar do meu jeitinho diferente. Tem preço? Tem, mas eu pago, fazer o que? Faz parte do pacote. E de vez em quando até sofro (também faz parte do pacote).

Crescemos acreditando que só existe uma maneira de amar quando na verdade não é bem assim. Basta olhar o mundo, as diferentes culturas e só isso já mostra as diferentes possibilidades.

Eu, sempre fui fã de comédias românticas, adorava a sessão da tarde, sou apaixonada por filmes de amor dos anos 40/50/60, mas sempre achei tudo muito forçado e previsível… Chegava a ser divertido chegar às lágrimas pelo sofrimento das protagonistas, mesmo sabendo que tuuuuudo daria certo no final. Segundo estes filmes, rimar amor com dor é o um estágio antes do “e viveram felizes para sempre”. Quando pra sempre não existe nem na Terra Média.

Pensem nisso.

PS – Tratando-se de mim, e de como quando o assunto é relacionamento e sexo  eu adorar ser do contra, corre o risco de, só por transgressão, eu me tornar monogâmica quando o modelo de relacionamento geral e vigente for o amor livre… rs.

*Photo Credit: Nad Renrel via Compfight cc


Ter relacionamentos não monogâmicos é fugir do sofrimento?

carta passada foi sobre ciúme.

Inevitavelmente, eu falei sobre a modalidade de relacionamentos que eu prefiro atualmente, que é uma das infinitas possíveis entre as não monogâmicas.

E alguns poucos leitores, por gostarem de mim e quererem meu bem, escreveram-me esperançosos de que eu, um dia, descobrisse a grande verdade e beleza que é um relacionamento monogâmico verdadeiro, e alguns até cogitaram que eu buscava relacionamentos não monogâmicos porque tinha medo e fugia do sofrimento.

E é verdade! Eu fujo!

Quem tem relacionamentos não monogâmicos está fugindo do sofrimento.

Mas quem tem relacionamentos monogâmicos também.

Me desculpe. Quem acredita que amor é sofrimento, que relacionamentos são sinônimo de sofrimento e que devemos buscar o sofrimento, essa pessoa é… neurótica.

Não devemos tentar evitar o sofrimento quando ele for inevitável ou acontecer. E ele deve ser resolvido dentro do possível.

Pode ser encarado como um obstáculo a ser superado para um bem maior, como bem observou a leitora Ana Rocha (eu envio esta carta para um seleto grupos de pessoas que me leem antes de enviar para todas)

Mas eu posso garantir que tanto relacionamentos monogâmicos quanto não monogâmicos têm disso.

Acho, no entanto, que fazer a opção não monogâmica é encarar muitos desses fatos presentes nos relacionamentos de frente. E não ocultá-los.

E, eventualmente, como foi o meu caso, descobrir que não são esses os problemas de verdade.

Os problemas não estão no outro.

O outro é a solução.

Mas raciocine comigo.

Quem tem menor tendência a admitir (supostos) sofrimentos e, assim, deixar de lidar com eles efetivamente?

  1. um sujeito que entende que o seu parceiro ou parceira pode ter outros interesses (incluindo amores, amigos, trabalho, hobbies etc) além dele mesmo ou
  2. um sujeito que não admite isso (em diferentes graus de intensidade), não importa o nível ou o trato acertado entre as duas partes?

De meu lado, penso que a complexidade humana não se resolve por decreto, por documento ou por anel no dedo.

Cada um foge do sofrimento como melhor lhe parece, e por isso não desejo que meus amigos, amigas, leitores e leitoras monogâmicos adotem minha modalidade de relacionamentos que, sim, tem me feito muito feliz nos últimos anos.

Também tenho visto muitos sorrisos.

E você?

*Texto original de Alessandro Martins, se gostou, assine a Newsletter dele, Íntimo e Careca. Eu adoro acordar com ele todos os domingos

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