Rudderless, pais e afins

Acabei de assistir Rudderless (em uma tradução livre seria algo como “sem leme”, tudo a ver com o filme). Rudderless - o filme Já devo em algum momento ter comentado a minha paixão por musicais. Pois bem, este me transformou em gelatina. Porque não só tem uma trilha sonora muito legal, como trata do relacionamento entre pai e filho, estabelecido  através da sua música (do filho), numa busca desesperada de conhecê-lo e entendê-lo após sua morte trágica.

Não digo mais, pois seria spoiler, e o filme tem uma condução tão perfeita que vale ser visto!

Enquanto assistia o filme, lembrei que sou orfã de um pai super presente enquanto esteve entre nós, que morreu aos 46 anos, e desde os 9 anos venho conhecendo um cara que além de ser extremamente trabalhador, inteligente e autodidata, ainda vivo, teve a chance de me apresentar sua paixão pelos livros, música clássica e pela vida. (Valeu, paizinho!)

No entanto, nem que eu tivesse memória fotográfica lembraria de tudo sobre o meu pai, não mesmo. Mesmo hoje aos 44 anos, tenho o prazer de descobrir vícios e virtudes de um homem que muito mais que um símbolo, foi um cara real, legal, que eu gostaria muito de ter conhecido.

E se ainda hoje, eu percebo muito do meu pai em mim, através de atitudes excêntricas (desde a compulsão por trabalho, até a extrema concepção de liberdade sexual), quem dirá se eu tivesse algum registro escrito, falado, para me ajudar a entender como este cara partiu tão cedo.

Um doidão regenerado

coca zero - imagem Robin Geschonneck - no flickr Ontem conheci um cara muito doido. Se aproximou de mim, o papo mais torto do mundo, mas que não era uma cantada não. Só puxando papo mesmo. Ele estava só, em uma cidade quase desconhecida e quis puxar conversa com a cabeluda ruiva e despenteada  com cara de gente boa… Eu! 🙂

É… Eu devo parecer gente boa, pois o que mais se aproxima de mim, é gente que do nada, para e conta seus segredos mais sórdidos, como se estivesse em um confessionário. E eu, com este meu jeito viva e deixe viver, ouço, aprendo e me divirto.

O tal doidão regenerado (palavras dele) chegou com uma lata de refrigerante na mão, E mesmo sem eu perguntar justificou-se que já foi doidão, mas hoje a única porcaria que entra naquele corpo, é uma coca, zero, de vez em quando… Afinal, passar dos 40 exige certos sacrifícios. Eu ri. E dei uma zoada: “Nossa, para tomar uma coca zero a parada deve estar sinistra”, e ele riu junto comigo.

Homem bonito, 43 anos, morador de São Paulo, mas não da capital. Trabalha seis meses no ano, para viajar seis meses. Já quase teve um piripaque, hoje em dia dosa as coisas com o famoso, nem tanto e nem tão pouco.

De hostel em hostel vem conhecendo o Brasil e “catando” as novinhas. Segundo ele, nunca foi tão fácil “catar uma novinha” (entre aspas, pois achei muito surreal a expressão). Mulheres como eu, ele disse, dão trabalho, exigem demais, costumam não se deslumbrar com físico, ou experiência de vida. Quase gargalhei quando comentou que a gente (imagino que sejam mulheres de quarenta, já que tenho quarenta e quatro) boceja com o tralalá dele, fácil.

Ele era hilário. Um cara gente boa, que em cinco minutos de conversa falou de sexo, drogas e rock and roll com uma riqueza de detalhes absurda. Uma pessoa leve, que por alguns minutos me deixou leve também.

Quando fui embora perguntei o nome, acho que era Alex, minha cabeça não anda muito boa com nomes, mas… Ele me trouxe uma coisa legal. Sem querer me mostrou, que sair de casa pode ser bom ou ruim, depende do que vem depois.

Ontem foi um dia bom e fico grata pelo dia de ontem, não só por ele, mas por tudo de bom, e tudo de ruim também. Felizmente ultrapassei alguns limites e estou me sentindo o máximo por isso.

Grata Alex, ou qualquer que seja realmente seu nome. Foi bom conversar com um doidão regenerado… rs.