SP-RJ | Lançamento de A Autobiografia do Poeta Escravo – Juan Francisco Manzano | Por Alex Castro

Nos próximos dias 02/09 na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, SP e também, 08/09, na livraria Baratos da Ribeiro, Rua Paulino Fernandes, 15, Botafogo, RJ acontece  em São Paulo e Rio de Janeiro, o lançamento do livro A Autobiografia do Poeta Escravo – Juan Francisco Manzano | Com organização, tradução e notas do escritor e historiador Alex Castro.

Não deve ser o livro mais fácil de ler, justamente pela emoção arrancada do peito. Uma emoção hipócrita, em forma de culpa por descendência de pessoas que, convenientemente, fizeram do Brasil um dos últimos países a abolir a escravatura. Os trechos que li derreteram meu calejado coração…

“Anotaê” na agenda e passa lá para prestigiar o autor.

juan francisco manzano

Juan Francisco Manzano, poeta na ilha de Cuba, foi a única pessoa escravizada latino-americana a escrever uma autobiografia sobre sua experiência no cativeiro.

Em 1835, um grupo de literatos brancos lhe encomendou uma autobiografia, para ser publicada por abolicionistas em londres.

Na visita ao site http://juanfranciscomanzano.com/ , você poderá saber um pouco mais sobre ele, ler o texto completo da autobiografia em espanhol, visualizar o manuscrito original, conferir fotos dos lugares onde ele viveu, ler algumas das notas explicativas da edição brasileira e consultar uma bibliografia completa sobre Manzano.

sp: 1set, 18h, livraria da vila, fradique

rj: 8set, 18h, baratos da ribeiro, botafogo

* * *

Meus trinta anos, por Juan Francisco Manzano

Quando olho para o espaço percorrido
Desde meu berço, e todo meu progresso,
Estremeço e saúdo meu sucesso
Mais por terror que por amor movido.

Espanta-me o combate que eu, renhido
Sustentei contra a sorte vil e fria,
Se é que posso assim chamar a porfia
De um ser tão infeliz e mal-nascido.

Trinta anos há que estou vivo na terra.
Trinta anos há que, em gemedor estado,
Triste sina em todo lugar me assalta.

Mas nada é para mim a dura guerra,
Que em vão suspirar tenho suportado,
Se a comparo, oh Deus!, com o que me falta.

Juan Francisco Manzano
(tradução: Pablo Zumarán)

Segundo uma tradição provavelmente apócrifa, esse poema, ao ser lido em voz alta pelo autor durante um sarau literário, tanto emocionou os participantes que decidiram fazer uma coleta e lhe comprar a liberdade.

* * *

 

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