Caminhando, cantando e seguindo a canção

caminhando e cantando e seguindo a canção

Não é novidade para ninguém que lê meus escritos que eu, como quase metade do mundo atual, deu tilt seguindo o ritmo insano dessa nossa sociedade de M… Sim! A sociedade que nossos pais construíram para nós, não é a sociedade que nós queríamo. Até porque muitos de nós sequer sabemos, mesmo à beira dos cinquenta anos, como eu, o que queremos realmente. Eu sigo mudando, e até gosto.

Os Titãs profetizaram que “a gente não que só comida, a gente quer dinheiro e felicidade, a gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade.” Lascou! Minha geração (40+) quis tanto “tudoaomesmotempoagora”, que deu defeito.

Vou chutar nessa prova, mas acho que nunca teve tanta gente infeliz zumbizando pelo mundo, sobrevivendo com suas drogas lícitas ou ilícitas e alguns até com drogas pesadas meeeesmo, do tipo: Marília Mendonça, Mayara e Maraísa e afins, diretão na veia. Ui!

No entanto, este texto não é para falar nada disso, ou talvez… Sobre tudo Isso. Enfim, passamos tanto tempo correndo atrás do rabo da felicidade que esquecemo que no fim das contas, rodávamos como cães cotós atrás do próprio rabo, sem chegar a lugar nenhum. Patético…

Por isso termino este texto com mais um recadinho em canção. Logo eu que sempre amei remar contra a maré. A criativa. A excêntrica. A singular. A que é e sempre foi igualzinha a todo o resto, mas usou lente cor de rosa pra ver o mundo diferente.

Eu que estou vendedora (troque essa profissão por qualquer outra que sem modéstia eu sei que executaria bem, porque eu nunca estive nem aí para o glamour de NADA), apenas porque mudar faz parte da minha personalidade,porque aprendi que o caminho nos leva a cantarolar seguindo a canção…

“Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Ficar parado, conjecturando,  não é opção. Essa é outra música “A Banda”, de Chico Buarque. Portanto… Faça, seja, viva! Não importa de que lado esteja, o outro não é seu inimigo. Não adianta ficar parado, a vida passa de qualquer jeito, para tudo, para todos.

Acreditem… Com todos meus descaminhos equivocados, e até aparente inércia, eu tento.

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Nada Tanto Assim | Kid Abelha

Só tenho tempo pras manchetes no metrô 
E o que acontece na novela 
Alguém me conta no corredor 
Escolho os filmes que eu não vejo no elevador 
Pelas estrelas que eu encontro 
Na crítica do leitor
Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim 
Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal 
Leio os roteiros de viagem 
Enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal 
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal

Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa

Composição: Bruno Fortunato / Leoni

Chorar de Rir é Muito Bom

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Chorar de Rir

Estou dando um tempo de ver TV. A tempos poucas coisas me interessam além de filmes e séries, mas atualmente nem isso.

Resultado: fugi para o Youtube, Pinterest, Instagram… Ou seja, redes sociais que escolho o que ver e quando.

Videos de bebês sorrindo, gatinhos fazendo gatices, cachorrinhos (baby dogs mesmo) aprendendo a viver, bobaginhas que me fazem sorrir…

Sou sorridente, mas dou raríssimas gargalhadas. Chorar de rir então?! Pffffff…

Fiz a foto deste post ontem à noite, já em minha cama, após gargalhar muito, de chorar, assistindo vídeos bobos.

Ou seja, não é impossível.

De vez em quando é bom demais desligar a seriedade e ligar o modo bobo da vida.

Chorar de rir é bom demais.

Arrival | Muito além do Estilo Sci-Fi

Só recentemente assisti o filme Arrival (A Chegada). E o que dizer… Caramba!

arrival-A-Chegada_escrevendo-na-parede

Terminei de assistir o filme leve, reflexiva, fascinada, emocionada e fazendo um enorme contraponto com as nossas vidas. Sobre o tempo (num sentido não linear), a dificuldade humana de se comunicar (entre si, entre os povos, entre e sobre o que se conhece e desconhece), mas sobretudo… Sobre o que realmente vale a pena ser vivido, falado, compartilhado e seus porquês, a ponto de influenciar ou mudar a vida de cada um.

Não quero falar muito, mesmo com o filme já tendo passado a tanto tempo, resolvi compartilhar a crítica de Otávio Ugá, o cara do Canal do Youtube Super8.

Deixe seus comentários. Vou amar!

PS. Amo a maneira simples e clara que o Otávio comenta os filmes, portanto, se você também gostar, inscreva-se no canal e não deixa de curtir o vídeo. Indico a ótima crítica do Live Action de A Bela e a Fera, me acabei de rir, mas super faz sentido suas considerações.

Quando um bichinho morre | Texto de Alessandro Martins

Antes de postar o texto do Alessandro martins, quero lembrá-los… O Alessandro escreve por prazer, mas este prazer envolve um custo de tempo, pesquisa, dedicação e inspiração. Ao final de seus textos ele costuma colocar um lembrete, das maneiras possíveis de continuar esse trabalho que nos entretém, faz refletir, rir, chorar, sonhar… Achei válido colocar este lembrete no início, ao invéns das minhas considerações, pois acho que os textos do cara fazem diferença.

Marley_e_Eu-Despedida

Despedida – Cena do filme Marley e Eu

Trotski morreu.

É um dos gatos de minhas duas amigas.

Confesso que não sou dos que ficam sentidos quando um animal morre, mesmo se tratando de um animal do meu convívio e que vi crescer, como foi o caso da Suzi em 2014.

Chamamos o veterinário para dar cabo do sofrimento dela.

Dei-lhe um último pedaço de linguiça, que comeu com voracidade como se fosse viver não apenas os próximos 5 minutos, mas os próximos 50 anos.

Fiquei lhe fazendo carinho até o último minuto, sem lágrimas e com calma.

Penso que, quando vamos morrer, precisamos de pessoas calmas e carinhosas por perto e não desesperadas.

E, como não sei se estarei pronto para dar isso às pessoas que amo, que seja: dei à cachorra da família. (sei lá… acho que consegui dar isso a meu pai quando comecei a entender a pontinha do iceberg da morte)

Enfim, não me comovi muito. Não fiquei sentido. Mas isso não quer dizer que não senti, na ocasião.

O fato é que as minhas amigas sentiram a morte do gato. E até fizeram uma cerimônia de despedida.

Então, por elas, estou pensando na morte.

Em todas as mortes que já testemunhei.

Esta inclusive, a do gato Trotski. Morte que nelas, não no gato, testemunho.

A morte sempre é testemunhada de forma mais marcante não no morto, mas nos que estão em torno dele.

E, assim, também penso em todas as mortes que testemunharei ainda.

Morrer faz parte de viver, mas, antes disso, ver morrer também faz.

A morte da Suzi, em 2014, não me magoou nada. Até foi um alívio. Fiquei tranquilo.

Mas sinto que os carinhos que meu pai fez nela e os que a minha mãe fez e o modo como ela foi por essas duas pessoas cuidada também morriam fisicamente e definitivamente naquela hora.

E passavam a ser unicamente etéreos, material de memória.

Minhas próprias mãos que a tocaram, naquele momento, se tornaram menos sólidas do que antes eram; como se o tempo, representado pela morte, soprasse as camadas de materialidade.

A morte do outro ser, nos desfaz um pouco, como uma rocha – ilusoriamente tão sólida – que se esboroa sob o vento dos milênios.

O testemunho físico da pele e dos pelos dos animais de nossa passagem pela vida deles, morrem com eles em silêncio.

E, assim, uma parte de nós também morre.

E, como toda morte, não choramos pelo morto, mas por nós mesmos, por nossa própria morte, pela parcial de agora e pela definitiva do futuro. É por nós que são as celebrações, os réquiens, os velórios, os funerais, as lápides. Pela nossa morte.

Não a individual, mas a de todos, inevitável e necessária.

Texto: Alessandro Martins / Parte integrante da Newsletter Íntimo e Careca

Este não é o primeiro texto do Alessandro Martins, por aqui, não é a primeira vez que ele é citado, certamente não será a última.

Compartilho os textos do Alessandro, pois ele tem a fórmula mágica (que eu não tenho) de abordar com simplicidade, e também com alguma crueza (não para todos), temas incomentáveis. É difícil ser simples, objetivo e tão íntimo em uma simples carta. Ele consegue.

Quem me conhece sabe que a morte é um tabu para mim, cada dia menos, mas ainda é um tabu. E exatamente pelo comentário que ele faz ao final do texto. O lamento não é, necessariamente, pelo morto, mas pela morte. “Não a individual, mas a de todos, inevitável e necessária.”

Essa certeza incomoda. Por quê? Jamais saberei, mas… Vale a reflexão.