Nada Tanto Assim | Kid Abelha

Só tenho tempo pras manchetes no metrô 
E o que acontece na novela 
Alguém me conta no corredor 
Escolho os filmes que eu não vejo no elevador 
Pelas estrelas que eu encontro 
Na crítica do leitor
Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim 
Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal 
Leio os roteiros de viagem 
Enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal 
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal

Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa 
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa 
E tanta coisa me interessa

Composição: Bruno Fortunato / Leoni

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Anos 80 e a timidez cantada em versos

Timidez - image by IanCoulter on flickr

1984, diferente da realidade opressiva do livro de George Orwel, as coisas até seguiam bem em terras brazucas e com grandes expectativas. O Regime Militar enfraquecia, o Brasil clamava por Diretas Já!, e no auge disso tudo, o pop rock nacional começava a pipocar aqui e ali cheio de novidades. Havia uma sensação de euforia no ar.

Eu era adolescente, mas uma adolescente de quase trinta anos atrás, vale um desconto… Não tínhamos tantos direitos e nem tanta informação como hoje em dia. Muito mais que hoje, as meninas ainda eram divididas entre “pra ficar” e “pra casar”, e apesar da emancipação feminina caminhar a passos largos, e “peitar” o mundo fosse preciso,  auto preservação não era demais. As fofocas já existiam, o bullying ainda era minimizado como “zoação da galera”, mas pelo menos ainda não havia compartilhamento online, ufa! Costumávamos sobreviver às maldades alheias.

Apesar de estar quase entrando no segundo grau, de todo mundo acreditar que eu era bem despachadinha até, com os rapazes eu era uma ostra de tímida. BV (boca virgem) quase total, salvo um selinho roubado por um colega de escola mais ousado, eu tentava me misturar, sem chamar muita atenção, para não ser alvo de chacotas. Sem ser exatamente um problema para mim na época, apesar de ter amizades femininas, eu até preferia a amizade dos rapazes. Só com o tempo fui até ficando mais saidinha, beeeeem mais, mas na época… É fato. Apesar de ter um ficante aqui e ali, a inexperiência me auto segregava a um mundo de amores invisíveis, platônicos.

Curiosidade ou sincronicidade, esta foi uma época em que apareciam músicas e mais músicas sobre introversão, amores não correspondidos, que faziam os tímidos se reconhecerem nelas. Eis algumas.

  • Se Enamora, da Turma do Balão Mágico é uma das primeiras que eu lembro, e é exatamente desta época. Em 1984 a música estourava nas rádios e apesar de ser sucesso de um grupo infantil, encaixava-se como uma luva na realidade daqueles que se gostavam calados.
  • A Vida Não Presta, de Leo Jaime, é de 1985 e canta a história de um daqueles rapazes com baixa autoestima, que entra na friendzone, e passa a curtir uma fossa terrível por isso.
  • Timidez, do Biquini Cavadão, é um clássico. Uma canção de 1986, mas que passe o tempo que passar será sempre atual. Mostra os dilemas, medos e reações totalmente inversas aos desejos tão típicas aos tímidos. Que até ensaiam, mas nada fazem
  • Preciso dizer que te amo, de Cazuza, foi gravado em 1987 por Marina Lima. Nela, amigos que tem tudo em comum passam horas e horas juntos. No entanto, um deles  teme ultrapassar o limite da amizade e aceita o papel de ombro amigo com medo de perder o que tem. Apesar do desejo de se declarar, é paralisado pelo medo.
  • E apesar de Apenas mais uma de amor, de Lulu Santos, ser dos anos 90 (1992), na minha opinião é uma das mais lindas. Canta a mais uma típica história de amor platônico, do medo da rejeição, da confusão de sentimentos.

Vida de gente tímida e introvertida não é fácil não galera. E se serve de consolo, pelo menos inspira belas canções de amor, né?!

Se quiser ouvir a playlist direto no youtube, clica aqui.


Photo Credit: IanCoulter via Compfight cc

My Way

Estou em um momento My Way, sabe… Daqueles momentos que a gente não tem muito o que dizer ou se desculpar pelas escolhas que fez, apenas seguir adiante com certo orgulho por errando ou acertando ter feito do jeito que acreditava ser a melhor forma. Me sinto tao agradecida a Deus, ao universo , por perceber isso agora e n~ao daqui a mais 43 anos. Seguem algumas versões que amo!

Elvis Presley

Frank Sinatra

Robbie Willians

Gosto de todas as versões.

Ain`t no mountain high enough

Como ontem postei sobre Disconnect, filme que fala sobre os efeitos da internet em nossas conexões pessoais, lembrei de Medianeras, que fala do mesmo assunto de uma maneira mais romântica. Fui no youtube rever a cena final, onde Martin e Mariana dublam Marvin Gaye  em  Ain`t no mountain high enough. Um final tão delicinha que é impossível não sorrir depois de assistir.

Curiosamente, passava na TV aberta, pela enésima vez, a reprise de Sister Act 2 (Mudança de hábito 2) com Whoopi Goldberg que também tem esta música em sua trilha sonora.  E lembrei de outros, que em momentos apoteóticos e redentores tem a canção como fundo.

Quem não lembra da cena lindinha do filme StepMom (Lado a Lado), onde a mãe, que está com câncer terminal, canta com os filhos, deixando a lembrança de um momento feliz, e o recado implícito, que não existe dificuldade que não possa ser superada.

E para finalizar, outra cena que amo, e esta música faz fundo de forma monumental é o final de Bridget Jones. É muuuuito louca a cena que ela sai correndo de calcinha pelas ruas cobertas de neve na tentativa de reencontrar Mr Darcy, que havia acabado de declarar seu amor e… Ler as sandices que ela escrevia sobre ele em seu diário. Muito legal!

bridget-jones-kiss-on-toes

Clique na imagem para ver a cena final de Bridget Jones

É… A música sem dúvida é uma explosão de motivação e carinho. Segue a tradução abaixo.

Não há montanha alta o suficiente

Ouça baby

Não há montanha alta

Não há vale profundo

Não há rio largo o suficiente, baby

Se você precisar de mim, me chame

Não importa onde você está

Não importa a distância

Não se preocupe, baby

Apenas chame meu nome

Estarei lá depressa

Você não tem que se preocupar

Porque baby

Não há montanha alta o suficiente

Não há vale profundo o suficiente

Não há rio largo o suficiente

Para me impedir de te alcançar

Lembre o dia que

Eu te deixei livre

Eu te disse que você poderia sempre contar comigo

Daquele dia em diante, fiz uma promessa

Eu estarei lá quando você me quiser

De um jeito ou de outro, de algum modo

Porque baby

Não há montanha alta o suficiente

Não há vale profundo o suficiente

Não há rio largo o suficiente

Para me impedir de te alcançar

Oh, não, meu amor

Nenhum vento, nenhuma chuva

Nem todo o inverno

Poderá me parar baby

Não, não, baby

Porque você é meu objetivo

Se um dia você estiver em apuros

Eu estarei lá

Apenas mande me chamar

Oh baby

Meu amor está vivo

Bem no meu coração

Embora estejamos muito longe

Se você precisar de uma mão amiga

Eu estarei lá

O mais rápido que puder

Você não sabe que

Não há montanha alta o suficiente

Não há vale profundo o suficiente

Não há rio largo o suficiente

Para me impedir de te alcançar

Você não sabe que

Não há montanha alta o suficiente

Não há vale profundo o suficiente

Não há rio largo o suficiente

Para me impedir de te alcançar

Cena do filme Terapia do Amor - Prime